Xiaomi no BR | Vantagens e desvantagens de usar smartphones da chinesa por aqui

A Xiaomi lançou seu primeiro smartphone em 2011 e, em poucos anos, se tornou uma das maiores fabricantes de celulares do mundo. Sua fama foi feita pelo fato de a empresa ter uma estratégia inteligente de negócios, ao lançar aparelhos com especificações bacanas a um preço mais em conta, em comparação com modelos equivalentes da concorrência.

A Xiaomi lançou seu primeiro smartphone em 2011 e, em poucos anos, se tornou uma das maiores fabricantes de celulares do mundo. Sua fama foi feita pelo fato de a empresa ter uma estratégia inteligente de negócios, ao lançar aparelhos com especificações bacanas a um preço mais em conta, em comparação com modelos equivalentes da concorrência.

E a estratégia deu certo: em 2017, a Xiaomi foi eleita como a 5ª marca chinesa com a maior presença global, competindo “pau a pau” com grandes nomes como Samsung, Apple e Huawei no mercado mobile. A chinesa chegou a se aventurar oficialmente no mercado brasileiro em 2015, mas acabou encerrando sua presença por aqui no ano seguinte. Só que os brasileiros, então, já haviam se rendido aos encantos da Xiaomi, e passaram a importar seus aparelhos para usá-los por aqui de qualquer maneira, lidando todas as dores de cabeça relacionadas ao processo de importação só para ter um Xiaomi para chamar de seu.

Contudo, recentemente a Amazon brasileira passou a vender aparelhos da Xiaomi no Brasil de maneira não oficial, mas oferecendo em seu catálogo modelos que já estão em território nacional. Ou seja: já é possível comprar Xiaomi no Brasil pagando preço final em reais, sem taxas adicionais, com frete barato, parcelamento no cartão e entrega em poucos dias. Além disso, a marca está se preparando para possivelmente voltar oficialmente ao Brasil, quando veremos, então, uma explosão ainda maior de pessoas usando Xiaomi por aí.

Sendo assim, muitas questões ficam no ar: Vale mesmo a pena usar smartphones Xiaomi no Brasil? Quais são as maiores vantagens de fazer essa escolha? E quais os contras de se usar aparelhos da chinesa por aqui?

Começando pelas vantagens


O Pocophone F1 é um dos aparelhos mais cobiçados da Xiaomi

Se existe um exército de “Xiaominions” por aí, é porque a marca realmente vale a pena, não? Bom, essa decisão cabe somente a você, mas abaixo a gente elenca algumas das principais vantagens que os smartphones da Xiaomi oferecem e, por isso, se destacam em meio à concorrência.

Primeiro, claro, a relação custo-benefício, que é atraente seja para aparelhos de entrada (os mais basiquinhos), seja para os intermediários (que aliam recursos de ponta a preço acessível), e até mesmo para os topos de linha (aqueles premium, mas que ainda assim têm preço mais em conta em comparação com os concorrentes diretos). A qualidade dos smartphones Xiaomi é reconhecida internacionalmente, com a certeza de pagar o menor preço possível pelas tecnologias embutidas em cada categoria de aparelho.

E por falar em tecnologias, outra vantagem da Xiaomi é justamente o fato de ela usar tecnologias de ponta em cada lançamento, considerando, claro, o perfil de cada aparelho. Ao lançar um celular de entrada, então, a chinesa vai contar com um conjunto de hardware mais modesto, mas não usará um processador já defasado para baratear o lançamento. Além disso, diversos modelos que fazem parte da categoria de intermediários trazem recursos mais comuns em aparelhos premium, como câmeras duplas na traseira e baterias mais parrudas.


MIUI 10, a atual interface para o Android dos smartphones Xiaomi

Outro destaque é o sistema — o MIUI é a interface da fabricante para o Android, projetada para rodar mais rapidamente o SO em seus aparelhos, além de trazer um design diferente que muitos consideram até mais interessante do que o design original desenvolvido pela Google. E por falar em Android, alguns aparelhos Xiaomi fazem parte do programa Android One, trazendo a versão mais pura possível do SO em aparelhos com especificações mais básicas — o que se traduz para: o SO roda sem engasgos, é mais limpo e recebe atualizações assim que são liberadas pela Google, tudo isso em um smartphone mais básico e, portanto, mais barato.

E como não citar o design dos aparelhos Xiaomi entre suas grandes vantagens? Antigamente, eletrônicos chineses eram sinônimo de “porcaria”, mas hoje em dia a China está na vanguarda da fabricação de smartphones, com a Xiaomi lançando aparelhos com design elegante sem deixar nada a desejar ao pensar em marcas que fizeram sua fama justamente em cima de belos designs. Além disso, há modelos Xiaomi cuja construção é tão sólida, que acabam aguentando com maestria intensos testes de resistência — como é o caso do Pocophone F1, que é um verdadeiro guerreiro.

Desvantagens a considerar

Ainda que a Xiaomi apresente uma série de vantagens, como as destacadas acima, a empresa não é infalível e, aqui no Brasil, há outros pontos a se considerar antes de clicar no botão de “comprar” naquele e-commerce chinês onde você viu, pelo menor preço, o aparelho de seus sonhos.

Antes de mais nada, é preciso levantar os prós e contras de se importar celulares da China: apesar de o preço ser aparentemente mais em conta, é preciso colocar no papel os gastos, em reais, com as taxas de importação do aparelho, frete internacional e preparar o bolso para uma eventual cobrança adicional por parte da Anatel, a depender do modelo do aparelho — caso ele ainda não seja homologado pelo órgão, serão cobrados R$ 200 para que isso seja feito.

Mas se o modelo em questão já é homologado e você decidiu comprá-lo aqui mesmo no Brasil, seja com a Amazon, seja aguardando a Xiaomi iniciar oficialmente as vendas do Redmi Note 6 e do Pocophone F1 por aqui, nada dos pontos levantados acima é relevante. Então Xiaomi é só vantagens? Não exatamente.

É preciso se atentar ao fato de que celulares chineses não foram planejados para funcionar nas redes de telecomunicações brasileiras, e vários aparelhos acabam apresentando incompatibilidades. Da própria Xiaomi, alguns smartphones não são compatíveis, por exemplo, com a frequência de 700 MHz (banda 28), que é justamente utilizada para o 4G no Brasil, além das frequências de 2.600 MHz (banda 7) e a de 1.800 MHz (banda 3).

As operadoras ainda utilizam as três frequências, com a de 700 MHz sendo cada vez mais adotada à medida em que o sinal analógico de televisão é desligado em todo o território nacional, já que essa frequência é a melhor entre as três. Sabe quando você está em um prédio e o sinal do 4G “morre” depois de entrar em uma sala de reuniões, por exemplo? Pois bem: isso pode acontecer justamente porque seu 4G está operando em uma das outras duas frequências menos potentes, com a de 700 MHz sendo a que fornece maior alcance de antena e, portanto, o melhor sinal.


Os extremamente populares Mi A2 e Mi A2 Lite não são compatíveis com a banda 28

Mas se o seu celular não tiver suporte à essa frequência, como é o caso de muitos aparelhos chineses, você acabará usando apenas as frequências de banda mais antigas, menos capazes. Ou seja: seu 4G pode apresentar instabilidades de funcionamento em lugares e situações em que todos os seus colegas estão com o sinal “no talo”.

Antes de comprar seu Xiaomi, é preciso se atentar detalhadamente às especificações oficiais informadas pela fabricante e, se não constar ali que há suporte para a banda 28, sendo compatível apenas com as bandas 3 e 7, o aparelho não terá a melhor recepção do 4G aqui no Brasil. Modelos como o próprio Pocophone F1, além dos populares Mi A2 e o topo de linha Mi Mix 3, não suportam a frequência de 700 MHz, enquanto o Redmi Note 6 Pro e o Mi 9 têm suporte à banda 28 garantido em suas especificações oficiais.

Além disso, como a internet móvel brasileira trabalha com as três frequências em conjunto, algumas operadoras oferecem planos de conectividade com velocidades ainda maiores do que às do 4G comum, mas isso só é possível caso seu aparelho suporte as três frequências. Ou seja: comprando um Xiaomi que não tem suporte à banda 28, além de seu sinal de internet eventualmente ficar instável em determinados lugares, você não conseguirá assinar nenhum desses planos que prometem um 4G “turbinado”.

Vale ressaltar, contudo, que esse é o mesmo problema que acontece com quem se antecipou e comprou os novos iPhone XR, XS e XS Max nos Estados Unidos assim que foram lançados, antes de eles chegarem oficialmente às lojas brasileiras. As versões distribuídas por aqui receberam o suporte à frequência de 700 MHz, enquanto as versões norte-americanas não são compatíveis — ou seja, visando pagar menos dinheiro em seus novos iPhones (já que, como de costume, eles chegam ao Brasil custando “o olho da cara”), essas pessoas acabaram adquirindo aparelhos incapazes de aproveitar ao máximo a internet móvel disponível no Brasil. Será que valeu a pena?

E agora, José?

Moral da história: se usar um Xiaomi no Brasil compensa mesmo, ou não, fica a seu critério. As vantagens são sedutoras, mas antes de comprar aquele aparelho que está custando ainda mais barato em uma promoção relâmpago, atente-se às especificações e confira se o modelo em questão suporta a banda 28. Do contrário, talvez valha mais a pena gastar um pouquinho a mais em um aparelho compatível com a nossa rede aqui no Brasil e, aí sim, aproveitar ao máximo todos os “prós” que a Xiaomi tem a oferecer.

Fonte: CanalTech

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